sábado, 14 de novembro de 2009
Saudades de Kahi Nub
Tentei intende-las um pouco, lembrar de alguns nomes que você chegou a mencionar pra mim, mas, essa tentativa foi frustrada, porém do meu jeito, vi....
Aquelas Três Marias, o Cruzeiro do Sul.
Vi também aquelas que formam uma panela! Como é o nome mesmo? Ah sei lá...
Se eu subisse as escadas que me levam ao teto da minha casa, talvez com apenas um levantar dos meus braços tocaria os céus, mas prefiro agora relaxar.
Vou tomar um banho naquele velho chuveiro que refresca os dias e noites dessa família calorenta e pôr minha cabeça pra descançar no velho travesseiro da Graça.
Repousar nos braços da misericórdia e sonhar com o cara que fez cada uma dessas estrelas que me faz lembrar de você.
Sinto saudade.
Espero que esteja bem...
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
* Posso voltar?
Um pródigo filho andarilho num terreno inóspito... O prólogo segue
A propósito eu sei...que amargurei a insensatez de te deixar
Tenho sede... quero sal!
Prefiro, profiro e me firo com o mal-me-quero-bem-não-quero
Cruz credo o ex-credo da cruz ex-crivo escrevo alforria do escravo
Lentilhas amargas, partilhas sem mágoas...
Pus mordaças no meu melhor amigo, me escondi em folhas de figo...
Minha fuga... Meu exílio... Prazer frívolo...
É bem difícil em meio aos edifícios... Me livrar do versículo, me lembrar do vício...
Perceber meus amuletos, se tornarem obsoletos...
Meu delírio... Meu arbítrio... Meu suplício... Meu alívio... Precipício ou céu?
O céu de amar - elinhas... O fel de amar - elinhas...
Elas, elos, evas, egos, ervas, éros...
Seu trabalho...meu prazer... Meu contrato...seu dever... Sua paga...meu remorso...
No copo de agu'ardente procurei douçura,
No leito amarrotado da prostituta,
A fome me embrulha as entranhas,
Estranhas íntimas... Lembranças ínfimas...
O eco do canto do galo e Eu.
O eco do canto do galo e Eu.
Desfibrila meu hábito, meu ócio, meus versos com mau hálito, meu óbito.
Ocilo... Ocilo...Firme como um prego na areia... Meu andar cambaleia...
Sem eira nem beira a vergonha faz pirraça esperneia...
Posso voltar? Abba posso voltar?
Amargurei a insensatez de te deixar.
Amargurei a insensatez de te deixar.
* Publicado em O Teatro Mágico
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Blackout, seja bem vindo!
Por aqui, a coisa se deu assim, havia eu acabado de pôr os pés em casa, e fui surpreendido pela escuridão. Acostumado, achei que logo iria voltar a energia, mas para minha surpresa, não foi bem assim.
Peguei uma pêra, na cosinha de casa, sentei no varandão, onde há uma vista privilegia e fiquei sentado. Logo em seguida no meio daquela escuridão tremenda, um casal de vagalume começou a trilhar uma espetacular dança em meio a mangueira e o cajueiro daqui, tendo ao fundo o farol dos carros cruzando as árvores lá atraz. Então por conta de uns estudos que tenho feito sobre alguns animais, em particular, o lobo, que sou fascinado, comecei a imaginar como deve ser para esses animais que vivem em matas fechadas, caminhar sem nenhuma luz artificial, somente pelo instinto, isso foi me levando a uma série de outros pensamentos.
Assim nessa viagem, caminhei por toda a terra antes da criação da primeira lâmpada. Lembrei dos retiros que nossa comunidade faz em Cascata, lá pros lados de Casimiro de Abreu, onde justamente por não ter muita luz artificial o céu é uma loucura, e até parece que tem muito mais estrelas do que o que vemos por aqui.
Quando foi mais tarde, surgiu ainda uma chuva, estava na hora, e as nuvens apesar de ser a noite, se mostravam alvorossadas, mas o casal de vagalume não desistia.
Mais ou menos lá pras meia noite entrei para o meu quarto, e o vapor que restava do calor do dia ainda era presente e fui deitar, apaguei a luz do quarto fechei bem as janelas e tentei o máximo manter o clima lá de fora, de plena escuridão, foi uma noite de descanso, sem internet, telefonemas, mensagens no celular, aquelas coisas de costume.
Por ali fiquei, troquei uma idéia com Deus sobre alguns assuntos pendentes e logo peguei no sono. Um pouco depois acordei com uns barulhinhos no quarto e pra minha surpresa, outro vagalume fez-me o favor de entrar aos meus aposentos, sorte minha, porque fui impulcionado a outros pensamentos, mas já era tarde e sono venceu.
Quando acordei, pela manhã, parecia que havia ibernado, como os ursos, durante dias, então, pra mim, o apagão foi de muita valia e quem sabe outros apagões poderam me fazer pensar um pouco, viajar por alguns lugares e até deitar mais cedo pra conversar com Deus!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um outro Deus
E seguindo, são idéias que nasceram também, depois de meditar no capitulo quatro da primeira epistola de João, na bíblia, especificamente do versículo sete ao vinte e um, e, cheguei a uma conclusão. Todo o universo é sustentado pelo amor. Pelo perdão. Por que essa conclusão? Veja bem. Faça a si mesmo essa pergunta. Deus é poder ou é amor?
O apostolo João traz nos primeiros versículos do capitulo quatro a seguinte revelação. Deus apesar de todo poderoso, apesar de Criador de todo o universo, Ele não se apresenta como poder, e apesar de todos seus feitos na história da humanidade, apesar de ser capaz de fazer chover pedra, de fazer parar os céus, e pôr de um lado o grande e poderoso sol estático e do outro a lua inerte por um espaço de um dia, (Js.10.11-13) Ele se identifica como amor, e é nisso que veio tenho vasta experiências, tem sido essa a grande grande diferença em minha vida, pois acredito que o poder se impoe e o amor aceita. Quando alguém se auto identifica como poder ele não aceita desafios, o poder não admiti ato contrário, descordância, desconfiança, nem dúvidas, ele não aceita ser contestado em sua identidade, pois se houver essa aceitação ele nega sua própria origem, já o amor é diferente, o amor aceita o outro, e não sofre prejuizo quando encontra alguém que não gosta dele. O amor não muda quando encontra alguém que desconfia, que se rebela; ele ama e pronto. Essa é a caracteristica do amor, ele não sofre quando há dúvida ou contextação porque ama o outro do jeito que o outro é, e João deixa claro que Deus ama o tempo todo e que o amor procede de Deus e quem não ama não conhece a Deus, o criador de todo o universo. E Ele como todo poderoso que é, poderia já ter exterminado toda a raça humana desde do primeiro erro, no Genesis, mas escolheu perdoar, amar todos nós independente de nossas escolhas, e é assim sua relação conosco é assim que ele nos sutenta.
Se olharmos a nossa volta temos grandes exemplos do resultado da manifestação de quem se identifica como poder, na política por exemplo, quando um governo ou estado se caracteriza como tal, a ditadura reina, e assim temos um regime de limitação de arbítrio, e também, não é dificil encontrar próximo de nós pessoas que por acreditar nesse deus caracterizado no poder tentam a todo tempo impor sua forma de crer, ver e sentir Deus. Para nós, crer e enchergar essa identidade amorosa de Deus nos leva a uma grande experiencia, pois, Ele ama porque ama, Ele aceita, e o maior exemplo desse amor foi enviar seu filho para ser sacrificado pelos nossos pecados, o amor então é caracterizado pela disposição para o sacrifício, Deus é amor porque aceitou o sofrimento. Pelo contrario, se, Deus se apresentasse como poder, seria complicado, pois seria contraditório criar um mundo de consciencias livres, um mundo de gente que tem vontade, que tem arbítrio, pois não seria possível viver com o arbítrio sem viver com a possibilidade da rebelião, sem viver com a possibilidade da contradição e da desconfiança, criar um ser que tem vontade e pode exerce-la é ceder espaço para ele se rebelar, até mesmo contra o seu próprio criador. Já o amor aceita a contradição e a rebelião, sem deixar de amar, amar é a capacidade de aceitar o sofrimento, quem não aprende isso não aprende a amar, não se sacrifica, não se dá pelo o outro, independente de quem ele seja, e consequentemente não aceita o sofrimento da convivência, o sofrimento da comunhão, e como disse o pastor Ariovaldo Ramos, “não esta pronto para aceitar a comunidade da família, o encontrão da vida”.
A geração atual, dos relacionamentos virtuais, das comunidades do orkut, twitter, msn e afins, precisa se preocupar com o tipo de relacionamento que está sendo estabelecido como regra hoje, e nós como cristãos, representantes do reino, precisamos estar atentos as siladas desse sistema macabro, que nos torna cada vez mais distantes uns dos outros. Estamos sendo direcionados a um outro deus que nada tem a ver com o Deus que se manifesta na comunhão da trindade, que deixou seu trono de glória para se encontrar conosco na pessoa de Jesus o carpinteiro Nazareno, um homem que esqueceu de si em favor do outro, e é assim que tenho pensado, este tem sido meu confronto; e meu questionamento também caminha por essas bandas. Qual tem sido a minha, em primeiro lugar, e depois, a nossa responsabilidade em demonstrar essa identidade divina?
Ao exemplo dado por Jesus, do bom samaritano, que apesar de ter um compromisso a cumprir, e talvez uma hora marcada, esqueceu de tudo, para ajudar um pobre ferido deixado para trás pelos homens sábios da lei que por ele passavam, (Lc.10 25-37) o que temos feito? Aqueles homens, apesar de saberem muito de Deus, da lei, e dos profetas, não sabiam nada sobre seu próximo. E talvez estejamos assim, mais interessados em receber, interessados no poder. Viciados em curas e milagres, coisas que como é mencionado no livro de atos dos apostolos capitulo dois versículos quarenta e dois a quarenta e sete, na bíblia, á eles era acrescentado devido a forma que viviam perseverantes no amor, na comunhão, no partir do pão e orações.
Precisamos buscar poder? Sim, precisamos. Mas o poder da presença do Espirito Santo que no no capitulo dois do livro de atos, capacitou seus discipulos para falar das boas novas da salvação em outras linguas. Nós da geração atual, precisamos aprender a falar a lingua dos nossos pais, dos nossos filhos, esposas, maridos, vizinhos e incredulos, precisamos ser cheios do poder que nos faz testemunhas para falarmos daquilo que o Senhor tem feitos em nossas vidas, para falarmos do perdão e do amor ao próximo.
domingo, 8 de novembro de 2009
In Memorian

Certa vez caminhava por matas densas e escuras um certo lobo, solitário e cheio de questionamentos, buscava respostas para algumas coisas.
Faminto, avistou muito longe um fiasco de luz.
Aproximou-se, e, ainda muito escuro, ficou encantado com a luz que lhe apresentava. Já bem perto, entregou-se, foi seduzido por aquilo que poderia ser a resposta para sua busca, e sentindo aquele cheiro avassalador, chegou bem perto e sem enchergar muito bem, começou a lamber o que havia encontrado, e sentindo um gosto saboroso e fresco continuou.
A medida que se deliciava, sentia mais profundamente o gosto de uma “pseudo satisfação”, e assim o sangue escorria por sua boca e morreu mastigando sua própria lingua.
A luz que encontrara, que talvez seria sua salvação, era uma lâmina afiada, perdida em meio a floresta.
Moral da história?
Nem tudo que reluz, é ouro.
"Para chegar a Deus você precisa passar pelo homem. Para Deus chegar em você Ele também precisa passar pelo homem. Não existe contato direto com Deus, isto é, todo contato entre o humano e o divino é mediado por um outro humano. O humano é ponte entre o humano e o divino. O humano é ponte entre o divino e o humano. Toda vez que você pretender um contato imediato com Deus, deixando de lado a ponte humana, isto é, a horizontalidade que Ele mesmo providenciou, você vai cair num abismo sem fim, isto é, vai experimentar o vazio, aquele sentimento de estar falando com ninguém. É isto o que o Evangelho ensina quando afirma que “existe apenas um Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem”
(1Timóteo 2.5).
“A distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos. Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida. O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”.
Carlos Mesters
