segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

COM QUANTOS RASCUNHOS SE FAZ UMA VIDA?

Em um dia desses, assustei-me com o que me era muito familiar. Sabe quando você percebe que o óbvio não é tão previsível assim? Algo como descobrir o próprio nariz? Descobri-me com o que estava na cara e perdi o fôlego. Falo das insistentes folhinhas onde anoto as providências para os eventos, para a semana, ou para o dia.

Na cabeceira da página, Providências. Um pouco abaixo, a data. Em seguida, numeradas, todas as ações das quais não posso me esquecer. Algumas, mais complicadas, exigem desdobramentos, pequenas resoluções para que a grande se resolva. Porque as vi depois, já carregam as marcas de como vivi naqueles dias sob aquelas providências. Algumas, simplesmente ticadas, bola para frente. Outras, com uma ou várias interrogações ao lado. A vida é mais imprecisa e desobediente que gostaríamos. Outras, com um traço, constatei, que riscava as palavras grosseiramente. Obrigações com gosto ruim que vamos deixando pelo caminho. Outras, sem marca nenhuma. Terá faltado tempo? Foi muita providência para pouca vida? Não consegui me lembrar.

Meu susto veio com uma revelação inquietante. Aquelas listas colecionadas em meu pequeno bloco, ou avulsas e esquecidas pelas gavetas, eram o rascunho de como vivi. Vivi para aquelas providências. Vivi para ticar o que cumpri. As rasuras não eram apenas as marcas feitas sobre palavras. Eram rasuras do modo como existi naqueles dias. Meu Deus! Quantas interrogações deixei pelo caminho? E a mais grave das revelações, se aquelas listas de providências rascunharam os meus dias, então não me preparei para a felicidade. Preparei-me somente para resolver problemas. Para funcionar.

Esqueci-me de rascunhar os instantes agradáveis. Um dia com as crianças na praia. O próximo livro a ser degustado. Um filme imperdível. Uma noite inesquecível ao lado da minha linda Bete. Um capítulo de “Law & Order” ao lado da Cacá. Uma corrida com os parceiros da próxima maratona. Os devaneios mais recentes do Márcio. Um texto escrito com taquicardia. Conversas profundas e inquietantes com o Ricardo. Boas gargalhadas com os amigos. Que aconteceram. Mas bem menos que poderiam. Incidências entre as interrogações das atitudes mais sérias que tomei. Tudo errado.

Tomei uma decisão. Esses não podem ser os rascunhos da minha vida. Não posso escrevê-la com uma pauta tão sisuda e infeliz. Preciso preparar-me para a alegria e não apenas para livrar-me dos problemas. É isso. Vou rascunhar de agora em diante uma vida com mais beleza, afetos, amigos, vinho, poesia, música. Mais Bete, Cacá, Bibi e Tatá. Sei que não posso livrar-me das outras providências. Mas elas terão que viver à sombra das minhas novas providências. Rascunharei dias mais belos.

Depois de me escandalizar com os meus rascunhos, assustei-me alegremente também com uma compreensão corrigida das palavras de Jesus. Sempre as pensei com uma dose de moralismo. Honestidade, castidade, fidelidade, justiça e tantas outras atitudes corretas, mas muito mais exigentes e sérias que a vida exige ou permite. Entendi que não é disso que fala o texto de Mateus 6.22-25, depois de descrever as bem-aventuranças (uma vida feliz), Jesus ensina a não deixar a vida ser gasta pelos cuidados, ou pelas listas de providências. Ensina-nos a rascunhar a vida como mais luz. Veja.

A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; e, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
(Grifo do autor)

Olhos que só enxergam os problemas quando pro-videnciam são olhos sem luz. São rascunhos de trevas. Não é a vida mais que os problemas, e o corpo mais que o trabalho?

Para o próximo ano, novos rascunhos. Tudo bem! Eu sei que não dá para evitar os problemas a serem ticados, nem as obrigações ruins a serem rasuradas. Quem me dera viver sem as interrogações sobre minhas tarefas. Mas é possível rascunhar a vida com mais leveza, doçura, afeto, descontração. Vamos rascunhar boas gargalhadas? Mais amigos? Mais beleza? Mais vida? Mais luz? Se teus rascunhos forem trevas, que grandes trevas serão. Mas se forem rascunhos luminosos?

Para o próximo ano, melhores rascunhos e uma vida mais luminosa!

Publicado por Elienai em: http://elienaijr.wordpress.com/

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Humanidade esquecida (1)

É surpreendente a forma que vamos tomando quando começamos a entender realmente que para vivermos melhor é preciso uma mudança de vida, uma nova humanidade, e é mais surpreendente ainda quando estamos voltados ao outro, ao próximo, e não a nós mesmos.

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmos. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achando na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz.” Fl. 2. 3-7

Esta passagem bíblica me faz pensar em algumas coisas, e talvez esteja nela nossa grande dificuldade. Se nosso credo está baseado na crença que existe um Deus criador de todo o universo, soberano, onipotente, onipresente e onisciente, que se despiu de todos seus atributos divinos para em nosso meio viver como homem, e nos mostrar a verdadeira forma de viver e de sermos, em tempos difíceis, porque então estamos fazendo justamente o contrário?
As dificuldades que hoje enfrentamos fazem com que essa teologia muitas das vezes inconscientemente seja compreendida de uma forma contrária.
Se enxergarmos Jesus pela sua personalidade, pela sua maneira de ser e de se comportar no mundo da existência, se fizermos um profundo estudo sobre seu caráter e seu comportamento, chegaremos talvez mais próximos de sermos realmente cristãos, pequenos Cristos, claro que não podemos deixar de considerar o fato que, se personalidade é a concretização da pessoa, Cristo careceria de personalidade humana, dado que Cristo tem só uma pessoa divina. Então podemos falar um pouco de personalidade de Cristo, entendendo a personalidade de Cristo como a concretização da pessoa divina na natureza humana que Cristo possui.
Consideramos, pois, Cristo como um homem deificado, isto é, um ser humano cuja natureza subsiste na pessoa divina. Todas as ações produzidas por Cristo homem são eminentemente humanas, embora produzidas pela pessoa divina.
E é exatamente neste ponto, creio eu, que erramos. Todos os atributos de “Cristo homem são eminentemente humanas, embora produzidas pela pessoa divina”, e a proposta que temos hoje é direcionarmos toda a nossa atenção ao divino, ao Cristo e esquecermos por completo o Nazareno, o homem. Claro, lembrando sempre que, o fato de o Verbo ter assumido a natureza humana, não impede que Cristo seja verdadeiro homem, aliás, faz com que Cristo seja o mais perfeito dos filhos dos homens.
Creio também na dificuldade em conseguir entender uma divisão real no dinamismo de uma personalidade humana onde o natural e o sobrenatural se misturam para produzir um efeito todo especial: atos divinos humanos.
Mas minha perplexidade chega ao extremo quando nos esquecemos de agir como humanos e somos deificados, ao ponto de anularmos nossos fatores perceptivos.
Gostaria de sintetizar os principais fatores intelectuais de Jesus baseando-me nos quatro livros históricos evangélicos, apoiando-me também em um estudo que tenho feito, e nas páginas do livro de Godeardo Baquero Miguel, (“A Personalidade Psicológica de Cristo”) e juntos fazermos uma analise de seu comportamento, seu modo de agir e seu relacionamento vital com o meio ambiente ao qual vivia, e quem sabe fazermos um paralelo como os dias de hoje.

Faremos então, um exame profundo, baseado nos elementos que mais especificam a idéia de personalidade, a vontade, a inteligência e o sentimento. E quem sabe enxergarmos melhor a humanidade de Jesus o Nazareno, e sermos seus imitadores...

Personalidade Intelectual

A psicologia moderna define a inteligência como uma estrutura formada por diversos fatores. Spearman da escola inglesa, considera a inteligência formada por dois fatores básicos: fator geral G e fator específico S. O fator G é definido por Spearman como a capacidade para ver as relações que existem entre os diversos fenômenos que atuam no psiquismo humano: é o conceito de noogênese abstrativa que desenvolve na obra Las habilidades del hombre. (Paidos. Buenos Aires. 1955)
Já para o psicólogo norte-americano Thurstone, a inteligência é definida como um perfil mental formado por vários fatores: fator raciocínio, fator especial, fator numérico, fator verbal... (Thurstone L.L. Multiple fator analysis. Uni. Chicago. 1955) O fator principal da inteligência para Thurstone é o fator R: capacidade de resolver problemas lógicos, prever, planejar e encontrar as relações entre causa e efeito. O fator raciocínio supõe uma aptidão indutiva e, também, uma aptidão dedutiva.
Os testes psicológicos que Thurstone usa para medir os fatores, ou aptidões intelectuais, são compostos de itens em que se avalia a profundidade das idéias, a originalidade do pensamento, a clareza da linguagem, a plasticidade da expressão, a força da argumentação, a fantasia e o imaginário dos conteúdos conceptivos.

Perfil Mental

a) Profundidade

Cristo pertence a uma cultura milenar judia e vive num ambiente tipicamente oriental. Ninguém superou a Cristo na profundidade da sua doutrina. As suas idéias continuam hoje no primeiro plano do mundo da ciência.
A doutrina dos filósofos, historiadores e políticos perde estabilidade com o tempo, mas a doutrina pregada por Cristo, hoje, como ontem, permanece atual, fundamentando os princípios éticos da sociedade. “Repousa em tua glória, nobre iniciador da mais sublime doutrina”, escreve o famoso historiador francês Renan.

b) Originalidade

Jesus não falava como os doutores da Lei que interpretavam as normas tradicionais da cultura judaica: Cristo promulgava idéias novas. Ensinava com autoridade própria e original. Ensinava seguindo critérios novos, profundos e surpreendentes. Ele era um verdadeiro mestre, falava como “aqueles que têm autoridade (Tanquam Potestatem Habens)” porque ensinava como tendo autoridade e não como os escribas (Mt. 7, 29).

c) Paradoxo

O paradoxo é um conceito lingüístico que define aquilo que é contrário ao que sucede normalmente. O paradoxo é um contra-senso, aparentemente um absurdo. O paradoxo é o estilo dos grandes pensadores. A ciência considera normal a lei que rege os fatos contraditórios: a escuridão é carência de luz; a cor branca é oposta à cor negra.

No mundo da transcendência religiosa, os aparentemente contraditórios têm uma explicação lógica. Mas só à luz de uma superinteligência que os define: “ Bem aventurados os pobres de espírito”... a pobreza e a felicidade são realidades aparentemente contrárias... “Bem aventurados os que choram”... as lágrimas no mundo definem a dor, não a felicidade. “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça...” mas a fome e a sede são sintomas de decadência social. “Bem aventurados os que sofrem”....mas no mundo da dor e do sofrimento não existe felicidade (Lc. 6, 20, 28) Nas palavras da pregação de Cristo, não existe nada mais paradoxal e contraditório do que: “Amai os que vos odeiam”, “Orai pelos que vos maltratam e perseguem”, “Fazei bem aos que vos odeiam”. (Lc. 6, 27, 28). O paradoxismo da doutrina pregada por Cristo é o eco da realidade mais paradoxal que já existiu: um Deus-Homem.

c) Empatia

Uma das características dos gênios é a capacidade de perceber de uma maneira rápida e espontânea a descoberta de fatos novos. Esta capacidade intuitiva se dá também na visão que determinadas pessoas têm do mundo psicológico. Essa característica intuitiva para a descoberta e o conhecimento psicológico é batizada, na Escola Norte-americana, com o nome de serendipity, traduzindo assim a antiga palavra grega eureka.
A psicologia moderna, ontopsicológica, fala em campo semântico: característica própria do ser humano para penetrar no mundo psíquico sem usar os meios tradicionais dos cinco sentidos conhecidos tradicionalmente. A empatia é, portanto, a capacidade que possuem determinadas pessoas de penetrar na vida intelecto–afetiva dos outros. “Jesus entra com a sua inteligência intuitiva no coração dos homens: ...” Jesus viu Natanael que vinha ao seu encontro e disse: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus disse: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi ....” (Jo. 1, 47). “Havia um homem entre os fariseus chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre, vindo de Deus... Como pode um homem nascer sendo velho? “Jesus respondeu: Na verdade te digo, que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo. 3, 1). Falou Jesus aos Fariseus: “Mas bem vos conheço que, não tendo em vós o amor de Deus... como vós podeis crer, recebendo honra uns dos outros e não buscando a honra que vem só de Deus? (Jo. 4, 42). A passagem de Jesus com a samaritana revela de forma clara o poder de empatia de Cristo, penetrando na alma ingênua daquela mulher. “Disse-lhe Jesus: Vá chamar o teu marido e vem cá. A mulher respondeu: Não tenho marido. Disselhe Jesus: Disseste bem, porque tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido. Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta....” (Jo. 4, 16).

d) Clareza

Os grandes pensadores expõem com clareza máxima suas idéias. O conceito obscuro de graça santificante é descrito por Cristo com uma elegância lingüística característica dos gênios: “Eu sou a videira e meu Pai é o lavrador. Todo ramo que não dá fruto, ele o tira... Eu sou a videira, vós sois os ramos, quem está em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo. 15, 1). Quando Jesus fala da Providência de Deus, as suas definições soam como música sobrenatural aos ouvidos dos que o escutam: “ Olhai as aves do céu, que não semeiam nem colhem, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial os alimenta... e quanto ao vestido, por que andais solícitos? Olhai os lírios do campo..... eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles” (Mt. 6, 26).
Para expor o perdão dos pecados, Jesus usa uma linguagem gráfica e sublime: “ e voltando-se para a mulher (Madalena), disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e, não me deste água para os pés .... não me beijaste .... não me ungiste a cabeça com óleo .... e Jesus disse a Madalena: a tua fé te salvou: vá em paz “ (Lc.7, 37,ss).
A parábola do filho pródigo (Lc. 15, 11, 55) e da ovelha perdida (Lc. 15, 3, 10) são verdadeiros quadros pictóricos imortalizados pela linguagem de uma pessoa que só podia ser Deus, ao mesmo tempo que era homem.

e) Força de argumentação

A lógica e o raciocínio contundente definem uma inteligência superior no homem. Neste campo, Jesus foi um verdadeiro mestre. Um dia, os apóstolos discutiam sobre qual deles seria o maior no reino do céu. Cristo então “chamando um menino, disse: Se vós não vos tornardes como este menino, não entrareis no reino do céu “ (Mt. 18, 1, 10). “É lícito curar em dia de sábado?... quem dentre vós, se seu jumento cair num poço, não o tirará mesmo em dia de sábado?” Quantas vezes os inimigos de Jesus ficaram sem palavras ante a força de argumentação contundente. “Se, pois, David chama de Senhor, como ele é seu filho? “(Mt. 22, 42, 46).
Um dia os fariseus perguntaram a Jesus: “ É-nos lícito dar tributo a César ou não?... E entendendo ele a sua astúcia, disse-lhes: “Mostrai-me uma moeda, de quem é a imagem e a inscrição?” Disseram: “De César”. Disse-lhes, então: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Lc. 20, 22).
A cena dos saduceus narrando o fato dos sete irmãos que se casaram com uma mesma mulher e foram morrendo um após outro, termina assim: “Mestre, julgaste bem! E não se atreviam mais a interrogá-lo” (Lc. 20, 28).

f) Fantasia e imaginação

Junto com uma inteligência profunda, clara e apodítica, Jesus teve ao seu serviço uma memória e uma fantasia próprias do gênio. Cristo cita de cor passagens da Bíblia como se toda ela estivesse presente na sua memória. Um dia, os fariseus perguntaram sobre o matrimônio, citando textos do Deuteronômio. Cristo respondeu com dois textos do Gênesis (Mc. 10, 2, 8). A correção fraterna deve fazer-se diante de duas testemunhas, conforme manda o Deuteronômio (Mt. 18,16). Quando Jesus expulsa os vendedores do templo, justifica a sua atitude com palavras do profeta Isaías (Mt, 21,13).
No que diz respeito à fantasia de Cristo, basta citar a parábola do semeador: Um dia viu os semeadores saírem a semear nos campos (Mt. 13, 3) e como durante a noite saíam os homens malvados a semear o joio no meio do trigo (Mt. 13, 25).
A imaginação de Jesus encontrou nestas cenas o traço perfeito para desenhar a
parábola do semeador. Os pastores chegam pela noite para guardar as ovelhas no aprisco, entram e cada uma é chamada pelo seu nome (Jo. 10, 1) Estas cenas são suficientes para que Cristo se defina perante os seus compatriotas judeus como: “ Eu sou o Bom Pastor”.

g) Personalidade volitiva

O elemento volitivo da personalidade se manifesta e se conhece na total independência no querer e no agir. Este conceito coincide com o significado psicológico que se dá à palavra caráter.
Quando afirmamos que uma pessoa tem caráter queremos dizer que age segundo princípios fixos e com constância. Uma pessoa sem caráter é aquela que se deixa influenciar facilmente, é insegura, inconsistente. Cristo, neste sentido, é todo caráter. Desde o começo da sua vida, traça um plano que será cumprido ferreamente, até o último detalhe: Aos 12 anos Jesus sobe ao templo de Jerusalém com os seus pais. Na volta para Nazaré, Jesus adolescente se perde dos seus pais. “E regressando Maria e José, ficou o menino em Jerusalém e não o souberam os seus pais. E aconteceu que passados três dias, o acharam no Templo e, quando o viram, maravilharam-se. Disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste isto conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu pai? (Lc. 2,43 ).
No início da vida pública de Jesus, o diabo tentou afastá-lo da sua missão, oferecendo-lhe comida, glória e os prazeres do mundo. Então, disse-lhe Jesus: “Vai-te, satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt. 1. 11). “ E a multidão estava assentada ao redor dele e disseram: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E olhando para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos” (Mt. 3, 32). Cristo levou o cumprimento do seu dever até as últimas conseqüências. Ao final da sua vida só Ele pôde dizer: “Tudo está cumprido” (Jo. 19, 30). Na hora da morte e no momento de encontrar-se de novo com o Pai, podia dizer: Tudo o que eu devia fazer, tudo o que eu fiz, foi cumprir o que Deus tinha previsto. Realmente, podemos afirmar categoricamente: Jesus foi um autêntico homem de caráter.

i) Personalidade afetiva

No campo da Psicologia Diferencial, o psicólogo estuda o comportamento das pessoas com características específicas. Fala-se de comportamento normal, neurótico ou psicótico. O conceito de normalidade está na razão direta da teleologia dos seres: psiquismo normal será aquele que está de acordo com as leis da natureza humana. A pessoa neurótica será aquela com perturbações parciais no seu comportamento habitual. A conduta psicótica deriva de sintomas que definem verdadeiras doenças. Analisando o comportamento habitual de Cristo na sua vida, verificamos uma perfeita normalidade, tanto no campo volitivo como no campo afetivo. A personalidade afetiva de Cristo refere-se à total independência no sentir que, por sua vez, está interligado à inteligência e à vontade. Cristo desenvolveu a sua personalidade afetiva em sumo grau. A delicadeza dos sentimentos estéticos de Cristo aparecem continuamente nos evangelhos: gosto da natureza e das flores do campo: “Olhai os lírios, como eles crescem, não trabalham nem fiam... “ (Lc. 12, 27-28). Os prediletos de Cristo são as crianças. Traziam - lhe meninos para que os tocasse e Ele disse-lhes: “Deixai vir a mim os pequeninos...” (Mc, 10, 13 ). Jesus se compadece dos pobres, os que sofrem na vida : “Bem aventurados vós que agora tendes fome porque sereis saciados.... “(Lc. 6, 21). Jesus se preocupa com os doentes, considerados o lixo da sociedade: “... os sãos não necessitam de médico mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas os pecadores ...” (Mc. 2,17).
A personalidade afetiva de Cristo faz de Cristo o mais humano dos homens. As multidões seguiam a Cristo de tal maneira, que chegavam a esquecer dos alimentos necessários para a sua subsistência (Mt. 15, 32). Em certa ocasião, entre a multidão que o escutava, ouve-se uma voz emocionada de uma mulher: “Bem aventurado o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram” (Lc. 11,27).
A sedução de Cristo se deve a que Ele é profundamente humano e cultiva a amizade sincera com os amigos: “Jesus amava a Marta e a seu irmão Lázaro” (Jo, 11.5). Cristo sofre com uma viúva que perdeu o seu filho (Lc, 7,12 11) e chora ante a morte de um amigo (Jo,11,11.33). A personalidade afetiva de Cristo fica retratada no encontro de Jesus com a Madalena (Lc. 7, 37) e com a mulher adúltera, que seria apedrejada pelos fariseus: “ Ninguém te condenou? Nem eu te condenarei ... “ (Jo. 8, 1,11). Quem definiu profundamente a personalidade intelectiva, volutiva e afetiva de Cristo foi o apóstolo Paulo que, na carta aos Colossenses, escrevia: “Cristo é a imagem de Deus invisível e primogênito de toda criatura, porque nele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tudo foi criado por ele e para ele... porque foi do agrado do Pai que toda plenitude nele habitasse” (Col. 1.15,20)

Fox (Gilson Rodrigues)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Perfil do Questionador é "Questionável"?


Pra início de conversa, vamos definir os termos para que possamos prosseguir numa mesma direção.

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra "questionar" significa “fazer ou levantar questão sobre; discutir”. Gosto da definição que o dicionário dá à palavra "discutir": debater (questão, problema, assunto); examinar ou impugnar (assunto controvertido).

Como podemos observar, o ato de “questionar” envolve o levantamento de uma questão que pode ser discutida. "Discutir" é examinar em debate diferentes pontos de vista e alegações.

Como de costume, a nossa cultura também distorceu o conceito da palavra "discutir". Algumas pessoas entram numa discussão com o objetivo de “atacar” seu oponente e impor um ponto de vista. Isso é bem diferente de entrar numa discussão com a intenção de examinar e trocar idéias referentes a um assunto.

Se o objetivo de uma discussão é examinar os pontos de vista relacionados a um determinado assunto, porque o “questionador” que não permanece disposto a ouvir, participa de um debate?

A palavra "examinar" significa analisar com atenção e minúcia; ponderar ou meditar sobre; submeter a exame. E o que dizer do “questionador” que nem mesmo examina o que diz?

Isso é muito sério. Muitas vezes o “questionador” se apóia em idéias e argumentos filosóficos que apresentam afirmações auto-contraditórias. Essas pessoas correm o risco de sustentar por anos afirmações que não fazem o menor sentido, sem nunca se dar conta disso.

Um exemplo prático é a argumentação de que “tudo é relativo”. Os relativistas fazem a seguinte declaração sobre a verdade: “Não existe verdade absoluta.” (nota)

A lógica neutraliza esta afirmação. Se realmente não existe verdade absoluta, então sua própria declaração de que “não existe verdade absoluta”, não pode ser uma verdade absoluta! A declaração do relativismo é irracional porque ela afirma exatamente aquilo que está tentando negar. É uma afirmação falsa em sí mesma. Como os relativistas podem estar "absolutamente" certos de que não existem "absolutos"?

Penso que não é necessário estender ainda mais os argumentos. Minha resposta pessoal à pergunta do título é: “Sim, o perfil do questionador é questionável!”

Todos precisamos analisar as nossas motivações ao entrarmos num debate. Já que somos vítimas da cultura popular e temos pressuposições enraizadas, devemos sempre avaliar aquilo que pensamos ser verdadeiro.

Alguém já disse que saber ouvir é uma arte, mas compreender o que se ouve é superior ao ato.

“Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Mt. 13:9)

Texto publicado em Zion Voice

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Deus também é grande nas pequenas coisas



“Vou ser sincero, pode muita gente não concordar comigo, mas alguns testemunhos de irmãos sobre as bênçãos de Deus me deixam muito pra baixo”

Todos nós que temos um relacionamento aberto com muitas pessoas, às vezes nos deparamos com algumas situações complicadas; eu tenho um amigo que por várias vezes me arrependi de tocar no assunto sobre Deus perto dele, o irmão, ainda não entendeu o que é aceitar o abençoador, e deixar as bênçãos pro “segundo plano”, ainda não entendeu o fato que louvar, adorar, aceitar Jesus Cristo naquele simples modo de levantar a mão na igreja ou em qualquer lugar onde se foi feito o apelo, não é estar debaixo de uma vida regada de bênçãos, luxo, e passar batido pelas dificuldades da vida, o irmão ainda não entendeu o plano de salvação. Numa boa, não o culpo. Muitas das vezes me encontro na mesma situação, talvez seja por não entender algumas posições espiritualistas demais que nos proporciona alguns pensamentos do tipo “Por que Deus escolhe uns pra abençoar e outros de bucha pra sofrer”, mas, graças a esse Deus Grandioso que se manifesta nas simples coisas da vida, sou surpreendido em coisas tão pequenas que chegam a me assustar.



Uma vez no desenrolar de uma pregação, eu disse que muita das vezes estou na igreja e vejo tanta coisa acontecer a minha volta, tantas manifestações divinas, e não consigo nem um pouco sentir pelo menos aquele arrepio na pele, proporcionado pelo vento gelado do ventilador na nuca, e às vezes, na calada da noite ao levantar, como costumo fazer várias vezes, pra beber água a noite, consigo contemplar a maravilhosa presença do Criador. Hoje não desprezo as maravilhas de Deus, as coisas grandes que Ele pode me proporcionar, mas tenho estado muito grato pelas pequenas coisas que tenho vivido. Esses dias numa discussão pequena no trabalho, aqueles debates teológicos que surgem de uma hora para outra, um amigo falou algo sobre experiências com Deus, de pessoas que se desviam do caminho por falta das mesmas, eu exclamei: Nem sempre por falta de experiência com Deus as pessoas escolhem o caminho inverso. Lúcifer escolheu ser o diabo, mesmo estando antes na presença do Senhor! Então, perguntamos a outro colega, se ele já havia tido alguma experiência sobrenatural com Deus, e ele respondeu: Algumas, mas nem por isso penso em deixá-lo. E assim terminamos a conversa, e continuamos toda segunda-feira pedindo ao Pai pra que nos dê força em nossa jornada de trabalho durante a semana, e fechando na sexta-feira, no lanche da tarde, agradecendo pela semana. Mesmo quando ela termina uma semana de desgaste e todos nós sem um tostão no bolso.

Fox (Gilson Rodrigues)

Eu essencialmente recomendo!


Tem alguns livros que perco um tempo considerável lendo, são poucos, mas quando isso acontece é pelo fato de poder tirar dos mesmos, um vasto material para estudo e compreensão de algumas coisas, por exemplo, o último que ocupou quase um mês em minha cabeceira foi o “Cabeça de Porco” de Celso Athayde, Luiz Eduardo Soares e MV Bill, isso faz um bom tempo, os outros vou fazendo aquelas anotações básicas; alguns rabisco e pronto, já terminaram em alguns dias, então, deixo na estante pra hora certa.
O último agora que vem ocupando quase dois meses em minhas mãos é “Um Jumentinho na Avenida – A Missão da igreja e as cidades” de Marcos Monteiro, simplesmente o essencial. Meu caro irmão Marcos da escola de missões Verbalizando, me emprestou, e sinto em seus olhos no domingo uma preocupação quase que absurda se já terminei de ler. É claro que não vai dar pra ficar apenas no empréstimo, terei realmente que comprá-lo, uma verdadeira escola pros tempos urbanos de hoje, vale a pena conferir e eu não poderia de recomendar pra vocês, compre-o, vale apena!

Personalidade de Cristo do ponto de vista Cientifico


Fazendo algumas pesquizas para um estudo de nossa comunidade encontrei no blog do irmão Alberto Lopes este texto sobre a personalidade de Cristo segundo a analise do Dr. Augusto Jorge Cury, então segue pra galera!

1) Protegia a sua emoção diante dos focos de tensão.

2) Filtrava os estímulos stressantes.

3) Não fazia da sua memória uma lata de lixo das misérias existenciais.

4) Não gravitava em torno das ofensas e rejeições sociais.

5) Pensava antes de reagir.

6) Era convicto no que pensava e gentil na maneira de expor os seus pensamentos.

7) Transferia a responsabilidade de crer nas suas palavras e segui-lo aos próprios ouvintes.

8) Vivia a arte do perdão. Podia retomar o diálogo a qualquer momento com as pessoas que o frustravam.

9) Era um investidor em sabedoria diante dos Invernos da vida. Fazia das suas dores uma poesia.

10) Não fugia dos seus sofrimentos, mas enfrentava-os com lucidez e dignidade.

11) Quanto mais sofria, mais alto sonhava.

12) Não reclamava nem murmurava. Supervalorizava o que tinha, e não o que não tinha.
13) Geria com liberdade os seus pensamentos. As ideias negativas não tinham lugar na sua mente.

14) Era um agente modificador da sua história, e não vítima dela.

15) Não sofria por antecipação.

16) Rompia todo o cárcere intelectual. Era flexível, solidário e compreensível.

17) Brilhava no seu raciocínio, pois abria as janelas da sua memória e pensava em todas as possibilidades.

18) Contemplava o belo nos pequenos eventos da vida.

19) Não gravitava em torno da fama e jamais perdia o contacto com as coisas simples.

20) Vivia cada minuto da vida com intensidade. Não havia nele sombra de tédio, rotina e angústia existencial.

21) Era sociável, agradável, relaxante. Estar ao seu lado era uma aventura contagiante e estimulante.

22) Vivia a arte da autenticidade.

23) Sabia compartilhar os seus sentimentos e falar de si mesmo.

24) Vivia a arte da motivação. Conseguia erguer os olhos e ver as flores antes que as sementes tivessem brotado, antes do cair das primeiras chuvas.

25) Não esperava muito das pessoas que o rodeavam, nem das mais íntimas, embora se doasse intensamente por elas.

26) Tinha enorme paciência para ensinar e não vivia em função dos erros dos seus discípulos.

27) Nunca desistia de ninguém, embora as pessoas pudessem desistir dele.

28) Tinha enorme capacidade para encorajá-las, ainda que fosse com um olhar. Usava os seus erros como adubo da maturidade, e não como objecto de punição.

29) Sabia estimular as suas inteligências e conduzi-las a pensar em outras possibilidades

30) Conseguia ouvir o que as palavras não diziam e ver o que as imagens não revelavam.

31) A ninguém considerava seu inimigo, embora alguns o considerassem uma ameaça para a sociedade.

32) Conseguia amar com um amor incondicional, um amor que ultrapassava a lógica do retorno.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um cooperador


De vez em quando me encontro meio perdido, às vezes numa praça sentado, às vezes parado esperando uma condução, e esses dias me perdi completamente dentro de um ônibus, isso sempre acontece comigo, sabe aqueles momentos que você para, e se encontra em um determinado lugar olhando pro nada pensando em várias coisas? Então, é disso que estou falando, mas curiosamente isso acontece comigo de uma maneira estranha. Às vezes quando estou de frente a uma paisagem linda, ou de um temporal daqueles bem feios, de nuvens carregadas, relâmpagos e trovoadas, pessoas correndo de um lado para o outro, e até como eu falei parado numa praça vendo o movimento frenético das pessoas com cara de preocupadas com suas contas a pagar; fico imaginando como naquele exato momento se encontra o coração de Deus olhando para todos nós, mas, todos mesmo, toda a criação, todo o desenrolar de uma história.

Esses dias eu estava numa viagem, e logo ao passar por um lugar ao qual já havia passado muitas vezes, um planalto lindo, área ainda não devastada pelo homem, pelo menos é o que parece, vi um imenso lago, quase um açude, tudo inundado pela chuva, e de fundo, uma paisagem meio amedrontadora, céu preto, carregado, nuvens pesadas sobre a cidade, Rio de Janeiro. Alguns relâmpagos cortavam o céu e ao meio das nuvens de chuva notava-se nitidamente outras com uma coloração que deixava entender que não se tratavam de nuvens naturais. Aquilo me transportou para um lugar que não havia estado antes, um sentimento que ainda não havia experimentado, senti como se algo meu estivesse sendo totalmente destruído, senti uma dor inexplicável, curiosamente alguns dias depois deitado no sofá de minha sala assistindo um noticiário senti novamente aquele aperto no meu peito, quando apareceu o estrago das chuvas de verão em algumas cidades e tudo foi sendo mais ainda alimentado com os noticiários de violência urbana.


Não sei se isso é, ou já se torno um clichê, mas quando me encontro lendo a bíblia e me deparo com a passagem no livro de Romanos capitulo oito versículo dezoito a vinte e três que diz

“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a libertação da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”

Ao termino da leitura, todas essas imagens tornam a permear a minha mente; e naquele momento, no ônibus meus olhos se encheram d’água e fiquei quieto por algum tempo, não sei como explicar na verdade, mas sinto muito forte uma ligação com o resto do cosmo, uma responsabilidade que sempre ecoa com altos gritos quando leio o livro de Gênesis e entendo minha responsabilidade com esse imenso jardim de Deus ao qual faço parte. Por outro lado outro sentimento toma todo meu ser quando ouço o canto das cigarras, ou quando estou na mata fechada fazendo caminhada e encontro uma cachoeira, rio, ou aquelas paisagens do pôr do sol, lindas, que agente só vê em filmes, e revistas. Sinto grandemente a presença de Deus, na verdade, poderosamente a presença do criador, mas não querendo menosprezar o sentimento das outras imagens que citei, são casos diferentes, porém, importantíssimos que me fazem entender muita coisa.

Na verdade me fazem entender o coração do Pai, sentir teu amor, entender seu plano, fazer parte dele, ser seu cooperador nessa jornada árdua de reconciliação e remição, quero sempre zelar por essa oportunidade. Oportunidade de mostrar a humanidade aquilo que “de Deus se pode conhecer, que neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”

Ouvindo "APELO A TERRA" Comunidade S8

"Para chegar a Deus você precisa passar pelo homem. Para Deus chegar em você Ele também precisa passar pelo homem. Não existe contato direto com Deus, isto é, todo contato entre o humano e o divino é mediado por um outro humano. O humano é ponte entre o humano e o divino. O humano é ponte entre o divino e o humano. Toda vez que você pretender um contato imediato com Deus, deixando de lado a ponte humana, isto é, a horizontalidade que Ele mesmo providenciou, você vai cair num abismo sem fim, isto é, vai experimentar o vazio, aquele sentimento de estar falando com ninguém. É isto o que o Evangelho ensina quando afirma que “existe apenas um Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem”   

(1Timóteo 2.5).

“A distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos. Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida. O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”.

Carlos Mesters


"A justiça divina existe, mas Deus quer nos ver lutando pela justiça humana - implementada no curto prazo e não apenas no longo prazo; neste mundo e não no próximo; dentro do tempo e do espaço, não na infinitude e na eternidade"