domingo, 31 de maio de 2009

Aula de Vôo

Trecho do Livro “A CABANA” de William P. Young.


_ Você sabia que eu viria, não é? – disse finalmente, baixinho.

_ Claro que sabia. – Ela estava ocupada de novo, de costas para ele.
_Então eu não estava livre para deixar de vir? Eu não tinha opção?

Papai se virou de novo para encará-lo, agora com farinha e massa nas mãos.

_Boa pergunta; até que profundidade você gostaria de ir? – Ela não esperou resposta, sabendo que Mack não tinha. Em vez disso, perguntou:

_Você acredita que esta livre para ir embora?

_ Acho que sim. Estou?

_ Claro que está! Não gosto de prisioneiros. Você está livre para sair por essa porta agora mesmo e voltar para sua casa vazia. Mas eu sei que você é curioso demais para ir. Será que isso reduz sua liberdade de partir? Ela parou apenas brevemente e depois voltou para sua tarefa, falando com ele por cima do ombro.

_ Se você quiser ir só um pouquinho mais fundo, poderíamos falar sobre a natureza da própria liberdade. Será que liberdade significa que você tem permissão para fazer o que quer? Ou poderíamos falar sobre tudo o que limita a sua liberdade. A herança genética de sua família, seu DNA específico, seu metabolismo, as questões quânticas que acontecem num nível subatômico onde só eu sou a observadora sempre presente. Existem as doenças de sua alma que o inibem e amarram as influências sociais externas, os hábitos que criaram elos e caminhos sinápticos no seu cérebro. E há os anúncios, as propagandas e os paradigmas. Diante dessa confluência de inibidores multifacetados, o que é de fato a liberdade?

Mack ficou ali parado, sem saber o que dizer.

_ Só eu posso libertá-lo, Mackenzie, mas liberdade jamais pode ser forçada.

_Não entendo. Não estou entendendo o que você acaba de dizer.

Ela se virou e sorriu.

_ Eu sei. Não falei para que você entendesse agora. Falei para mais tarde. No ponto em que estamos você ainda não compreende que a liberdade é um processo de crescimento. Estendendo gentilmente as mãos sujas de farinha, ela segurou as de Mack e, olhando-o direto nos olhos, continuou:

_ Mackenzie, a Verdade irá libertá-lo, e a Verdade tem nome. Neste momento ele está na carpintaria, coberto de serragem. Tudo tem a ver como ele. E a liberdade é um processo que acontece dentro de seu relacionamento com ele. Então todas essas coisas que você sente borbulhando por dentro vão começar a sair.

3 comentários:

Franci Samveira disse...

Vc não aguentou e já está lendo o livro, né?

Mudou o layout... ficou bem legal, colocou até sua nova paixão, o coturno, né!
Esse livro é muito bom, mas vc já sabe, rsrssrsr

Franci Samveira disse...

Não se esqueça Deus te ama "especialmente" rsrsrrs

Franci Samveira disse...

Oi, sou eu de novo, srrsr.
É que vasculhando pela internet descobri o blog de alguém que conhecemos, o Lelo.
Vou deixar o link p vc dar uma conferida...

http://influxo.wordpress.com/sobre/

"Para chegar a Deus você precisa passar pelo homem. Para Deus chegar em você Ele também precisa passar pelo homem. Não existe contato direto com Deus, isto é, todo contato entre o humano e o divino é mediado por um outro humano. O humano é ponte entre o humano e o divino. O humano é ponte entre o divino e o humano. Toda vez que você pretender um contato imediato com Deus, deixando de lado a ponte humana, isto é, a horizontalidade que Ele mesmo providenciou, você vai cair num abismo sem fim, isto é, vai experimentar o vazio, aquele sentimento de estar falando com ninguém. É isto o que o Evangelho ensina quando afirma que “existe apenas um Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem”   

(1Timóteo 2.5).

“A distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos. Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida. O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”.

Carlos Mesters


"A justiça divina existe, mas Deus quer nos ver lutando pela justiça humana - implementada no curto prazo e não apenas no longo prazo; neste mundo e não no próximo; dentro do tempo e do espaço, não na infinitude e na eternidade"