terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um cooperador


De vez em quando me encontro meio perdido, às vezes numa praça sentado, às vezes parado esperando uma condução, e esses dias me perdi completamente dentro de um ônibus, isso sempre acontece comigo, sabe aqueles momentos que você para, e se encontra em um determinado lugar olhando pro nada pensando em várias coisas? Então, é disso que estou falando, mas curiosamente isso acontece comigo de uma maneira estranha. Às vezes quando estou de frente a uma paisagem linda, ou de um temporal daqueles bem feios, de nuvens carregadas, relâmpagos e trovoadas, pessoas correndo de um lado para o outro, e até como eu falei parado numa praça vendo o movimento frenético das pessoas com cara de preocupadas com suas contas a pagar; fico imaginando como naquele exato momento se encontra o coração de Deus olhando para todos nós, mas, todos mesmo, toda a criação, todo o desenrolar de uma história.

Esses dias eu estava numa viagem, e logo ao passar por um lugar ao qual já havia passado muitas vezes, um planalto lindo, área ainda não devastada pelo homem, pelo menos é o que parece, vi um imenso lago, quase um açude, tudo inundado pela chuva, e de fundo, uma paisagem meio amedrontadora, céu preto, carregado, nuvens pesadas sobre a cidade, Rio de Janeiro. Alguns relâmpagos cortavam o céu e ao meio das nuvens de chuva notava-se nitidamente outras com uma coloração que deixava entender que não se tratavam de nuvens naturais. Aquilo me transportou para um lugar que não havia estado antes, um sentimento que ainda não havia experimentado, senti como se algo meu estivesse sendo totalmente destruído, senti uma dor inexplicável, curiosamente alguns dias depois deitado no sofá de minha sala assistindo um noticiário senti novamente aquele aperto no meu peito, quando apareceu o estrago das chuvas de verão em algumas cidades e tudo foi sendo mais ainda alimentado com os noticiários de violência urbana.


Não sei se isso é, ou já se torno um clichê, mas quando me encontro lendo a bíblia e me deparo com a passagem no livro de Romanos capitulo oito versículo dezoito a vinte e três que diz

“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a libertação da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”

Ao termino da leitura, todas essas imagens tornam a permear a minha mente; e naquele momento, no ônibus meus olhos se encheram d’água e fiquei quieto por algum tempo, não sei como explicar na verdade, mas sinto muito forte uma ligação com o resto do cosmo, uma responsabilidade que sempre ecoa com altos gritos quando leio o livro de Gênesis e entendo minha responsabilidade com esse imenso jardim de Deus ao qual faço parte. Por outro lado outro sentimento toma todo meu ser quando ouço o canto das cigarras, ou quando estou na mata fechada fazendo caminhada e encontro uma cachoeira, rio, ou aquelas paisagens do pôr do sol, lindas, que agente só vê em filmes, e revistas. Sinto grandemente a presença de Deus, na verdade, poderosamente a presença do criador, mas não querendo menosprezar o sentimento das outras imagens que citei, são casos diferentes, porém, importantíssimos que me fazem entender muita coisa.

Na verdade me fazem entender o coração do Pai, sentir teu amor, entender seu plano, fazer parte dele, ser seu cooperador nessa jornada árdua de reconciliação e remição, quero sempre zelar por essa oportunidade. Oportunidade de mostrar a humanidade aquilo que “de Deus se pode conhecer, que neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”

Ouvindo "APELO A TERRA" Comunidade S8

1 comentários:

Thico Pé Torto disse...

Cara é isso mesmo!

Quando eu estava em Minas, não me lembro em qual das cidades que passei, mas eu estava sozinho no onibus e me perdi total, viajei em meus pensamentos e naquela tempestuosidade de sentimentos, nem tem muito como explicar... mas quando voltei ao normal eu até assustei porque pensei ter passado do ponto onde eu ia descer.

Muito bom o texto cara, tu tem que escrever mais em seu blog, esse aqui eu vou "catiolar" e por lá no Comunidade Tribal ok?

Grande abraço!

"Para chegar a Deus você precisa passar pelo homem. Para Deus chegar em você Ele também precisa passar pelo homem. Não existe contato direto com Deus, isto é, todo contato entre o humano e o divino é mediado por um outro humano. O humano é ponte entre o humano e o divino. O humano é ponte entre o divino e o humano. Toda vez que você pretender um contato imediato com Deus, deixando de lado a ponte humana, isto é, a horizontalidade que Ele mesmo providenciou, você vai cair num abismo sem fim, isto é, vai experimentar o vazio, aquele sentimento de estar falando com ninguém. É isto o que o Evangelho ensina quando afirma que “existe apenas um Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem”   

(1Timóteo 2.5).

“A distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos. Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida. O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”.

Carlos Mesters


"A justiça divina existe, mas Deus quer nos ver lutando pela justiça humana - implementada no curto prazo e não apenas no longo prazo; neste mundo e não no próximo; dentro do tempo e do espaço, não na infinitude e na eternidade"